Porque as pessoas odeiam (ou amam) o domingo

As pessoas não odeiam o domingo porque é o dia que precede a segunda-feira. Nem mesmo porque escutam Faustão falar: “logo após os reclames do plim plim”.  As pessoas não gostam do domingo porque é o dia em que ficam mais próximas de si mesmas. E, se isso não for (ou não estiver) bom, a reação é execrar o dia em que Deus descansou.

Mas, por que escolhi este dia para cravar que é o que as pessoas ficam cara a cara consigo?

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A mesma pessoa, mas diferente – um relato anônimo sobre depressão

Escrito por alguém que preferiu não se identificar

Enquanto lê o texto, clique aqui. para ouvir a canção “Começo, Meio e Fim”, do grupo Roupa Nova. 

Quando algo não vai bem com o nosso corpo, precisamos dedicar tempo para investir na busca pela causa e pelo tratamento daquilo que nos faz enfermar. Do contrário, sofreremos consequências que poderão significar uma derrocada.

Antes do colapso, vêm os sinais. Podem ser dores de cabeça constantes, um cansaço que não sentíamos antes, muito sono (ou a falta dele), enfim. De diversas formas, somos alertados de que uma intervenção é necessária para reajustar as coisas e restabelecer a ordem de tudo.

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Invisível

Sol rachando no meu rosto, e Racionais estourando nos meus ouvidos. Aumento o volume para tentar ouvir menos o barulho da hipocrisia: um som que mistura gritos histéricos de patricinhas nos seus Iphones com a conversa de dois homens – terno de linho, perfume importado, relógio de ouro – sobre a situação econômica do país.

“Precisei vender duas, das minhas cinco fazendas no interior de São Paulo. E tive que cortar alguns gastos pessoais. Jatinho?! Agora, só nos fins de semana”.

Ainda bem que, nesses últimos anos, aprendi bem o que é auto-controle. Meus cinco anos praticando meditação serviram-me para muita coisa, porque minhas vontades neste momento eram:

– encurralar um daqueles velhos com o caco de vidro e mandar que me passassem a porra da chave do conversível estacionado logo à frente;

– ou surtar aqui mesmo, gritar, mandar tomar no cu, socar a parede de concreto até meus ossos encontrarem com o cimento.

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A humanidade é desumana, mas ainda temos chance?

Nos últimos dias, as pessoas têm usado incessantemente as redes sociais para se posicionarem à respeito do falecimento da ex-primeira-dama do Brasil, que teve a morte confirmada pelo Hospital Sírio Libanês, na sexta-feira (3). A então esposa de Lula sofreu um AVC causado por um aneurisma.

Ora se solidarizando com o ex presidente, ora reafirmando seu posicionamento político contrário ao do último governante do Brasil, mas destacando respeito à família de Lula, as condolências vinham de todas as partes.

Mas dentre essas manifestações de solidariedade, surgiram também comentários destilados de puro ódio, que exultavam o sofrimento do ex presidente diante da morte da esposa que o acompanhou por 43 anos, entre namoro e casamento.

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Para a liberdade: São Paulo!

A garoa cai fina sobre o seu rabo de cavalo e forma um aglomerado de gotículas sobre o cabelo encaracolado que, de longe, provoca a sensação de se estar vendo fios brancos. Mas ao chegar de perto, logo percebe-se que o emaranhado é pretíssimo – cor conseguida, é claro, pela tintura, já que o correr incessante dos anos insiste em embranquecer os fios.

No topo da cabeça, porém, nenhuma confusão visual entre cabelo e chuva: a careca branca recebe as gotas de água pacientemente, e estas logo escorrem para o tufo de cabelos preso por um elástico ou então para a argolinha de ouro dependurada na orelha esquerda que há tempos perdeu o brilho pelo uso ininterrupto.

É essa a visão que tem de si mesmo ao passar por um imponente prédio espelhado da Paulista. É domingo de manhã, e ele acaba de sair da kitnet apertadíssima para esticar as pernas, respirar o ar da maior metrópole do Brasil e repetir o mantra que não lhe saiu da cabeça nos últimos 50 anos: “Ah, minha São Paulo, meu dinheiro, minhas mulheres”.

A frase é o gatilho para se lembrar de como foi parar ali.

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Luz negra de uma lembrança cruel

Em dias assim, em que a gente se sente como quem partiu ou morreu, acendo meu cigarro, boto Coltrane num volume que só eu consigo escutar e rememoro as minhas tristezas. Sim, porque o ser humano, qualquer que seja, tem esse gosto pelo mórbido, pelo sombrio, pela morte. Ora, essa, todos têm! Eu simplesmente assumo.

A primeira memória que vem à minha cabeça é sempre a de Bentinho. Já tentei pensar outras desventuras, mas o personagem do Machado de Assis insiste em ser o primeiro a ocupar minhas lembranças melancólicas. E o diabo vem todas as vezes com a mesma assertiva: “Sempre terei o sabor da dúvida, mas você provou o amargor da certeza!”

Tento rebater, dizendo que uma verdade dolorida é melhor do que mil mentiras agradáveis, mas ele sabe que minha histeria é justamente porque nunca terei a mesma sorte de nunca descobrir se Capitu traiu ou não traiu.

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O insuportável fardo da paixão

Resignação. Palavra que permeava toda a vida de João Otávio. Ao longo de seus 43 anos de existência sobre a terra, ele conformava-se com qualquer tipo de situação. Contentava-se com o emprego de escrivão, no qual se misturavam papéis, ácaros e traças; era apático ao casamento engessado com Rosemaria, e até a perda da mãe para o álcool não foi um acontecimento que lhe causou comoção.

Era dela, aliás, que aprendera tal ensinamento. “Seja sóbrio”, dizia-lhe a progenitora nos raros momentos de lucidez, quando não estava entregue ao conhaque.

Nada era nem bom nem mau. Tudo estava nem triste nem feliz. Qualquer coisa nem lhe agradava nem lhe contrariava.

Até aquela terça-feira ensolarada. A culpa era do firmamento sem nuvens. Do canto indecente dos pássaros. Da relva petulantemente verde. Aquele conjunto fez-lhe pensar. Foi como se a luz brilhante do sol finalmente lhe houvesse aberto os olhos para o mundo pela primeira vez. Em sua cabeça, o “E se?” espetou-lhe como o tridente do diabo.

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Viver é resistir (e não desistir)

Não são poucos os relatos de pessoas que, com força de vontade e determinação, conseguiram superar situações aparentemente sem saída. Ou então histórias comoventes de animais que, depois de apanhar muito de seus donos, se recuperaram, e hoje têm a aparência tão boa, que é quase irreconhecível a de quando foram encontrados.

Este relato de sobrevivência, porém, não diz respeito nem ao primeiro nem ao segundo caso. Mas, sim, sobre um ser que vive silenciosamente, enfrentando, além das intempéries, a ação mal-intencionada do ser humano: uma paineira plantada em frente à minha casa.

Na verdade, são duas. É que quando trouxe a muda da árvore plantada em um pouco de terra, não imaginava que ali havia duas plantas, ao invés de uma. Bem parecido quando uma mulher descobre que está grávida de dois, e não de um filho, como pensava inicialmente.

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Duas doses de blues e uma de chapada, por favor!

Foi tudo lindo! Não há melhor forma de descrever a Chapadas Folk’n Blues, realizada nos dias 14 e 15 de outubro, na Chapada de Ouro Preto. A música, o ambiente, as pessoas… Tava tudo tão harmonioso que nem a chuva atrapalhou os dois dias de evento.

Até mesmo quando fiquei perdida, quando o GPS indicou o lugar errado, e fomos parar numa estrada de terra sem saída, serviu de história para ser contada no futuro! Pois assim que pus os pés na Chapada – lugar maravilhoso, aliás – senti uma energia muito boa!

A começar pelo line-up do evento, que contou com feras mineiras do blues, do folk e do country. Os shows da bandas That’s All FolkThe Lee GangHollyBomba e Jam Session agitaram o público na sexta.

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