Um furacão de leitura!

Acredito que se você gosta muito de ler já se deparou com a seguinte situação: a leitura está tão boa, mas tão boa que você fica com dó de terminar o livro e ao mesmo tempo quer terminá-lo o mais depressa possível para saber como termina a história. Pois foi exatamente isso que aconteceu comigo no último livro que li do Roberto Drummond: Hilda Furacão.

 A trama ficou famosa depois que a Globo lançou a minissérie estrelada pela linda Ana Paula Arósio em 1998. Como na época era criança ainda, lembro que minha mãe não deixava ficar na sala enquanto passava porque continha cenas impróprias para minha idade. Então, cresci imaginando – pelo pouco que sabia da história – que era mais uma das artimanhas da Globo de utilizar de mulher pelada pra ganhar audiência. Pra falar a verdade, não sei se foi isso mesmo porque até hoje não vi a minissérie. Mas o que posso dizer que essa é de longe a intenção da história.

Pra começar a explicar meu interesse, o livro contém três elementos que eu gosto muito na literatura: jornalista, Belo Horizonte e ditadura. Explico. Meu interesse por alguma história que tenha algum personagem ou que fale sobre jornalista vem da pretensão da minha futura profissão, que claro, é ser jornalista. Depois, gosto de romances que acontecem em Belo Horizonte, me sinto em casa quando os leio. Por exemplo, adoro ler quando o autor escreve: “estava passando pela Avenida Afonso Pena” ou “acontece que naquela hora ainda estava na Praça da Liberdade”. Assim, sei exatamente onde estão os personagens e sei exatamente o local em que posso imaginá-los, fora que me sinto toda orgulhosa ao ver minha cidade citada nos livros, que em Hilda Furacão, inclusive, cita a Cidade Industrial em Contagem. Por último, a trama se passa anos antes de um período de horror vivido pelo Brasil, a ditadura, e os personagens são afetados diretamente por ela. Este assunto muito me interessa porque ainda é um período que continua obscuro na história e que, Graças a Deus, começa a caminhar um pouco para a luz com este projeto da Dilma de revisar “arquivos mortos” dessa época.

Dito isso, o autor lançou um desafio que a princípio desconfiei. Disse que se os leitores se sentissem presos e seduzidos ao modo que ele escrevia, os créditos eram para o Seu Quim quem lhe ensinou escrever de uma forma que vai e volta, sem uma linha reta. Pensei em como o autor tinha sido pretensioso ao imaginar que os leitores poderiam se sentirem particularmente atraídos ao modo como ele escrevia e resolvi aceitar aceitar seu desafio e no final das contas tive que dar os devidos créditos ao Seu Quim, mestre de Roberto Drummond.

O livro também cita alguns belos trechos de músicas e poesias e poéticas são algumas falas dos personagens sem ser piegas. Uma fala que me marcou, não sei ao certo porque, foi a de Frei Malthus quando diz: “toda verdade do mundo está nos boleros” ao se aproximar do Maravilhoso Hotel onde ficava Hilda Furacão.

Enfim, não posso dizer mais se não corro o grande risco de criar expectativas onde elas não existem. Mas acredito que vale a pena conferir essa história com um toque de mistérios de uma moça de família que resolve largar tudo para levar a vida na zona boêmia de uma Belo horizonte que cheira a “jasmim e gás lacrimogênio”. Com certeza a imaginação corre solta nas linhas escritas por Roberto Drummond.

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