Cem anos

– Já sei! – disse Veronika à sua amiga Martinha, ambas meio bêbadas, depois de uma noitada, escornadas no sofá de uma das casas delas.
– Sabe o quê, Veronika?
– Porque até hoje eu não encontrei o amor da minha vida.
– Ah, é? Por quê? Também preciso saber do meu!
– Porque eu e ele estamos separados por cem anos!
– Ahn?
– É! Ou ele já morreu há cem anos ou vai nascer daqui a cem!
– Tá doida mesmo! E bêbada!
– Não… É sério. Por mais que pareça loucura, acabei de ter esse insight!
– E como você tem certeza?
– Porque sei até o nome dele. Chama-se Bernardo.
– Isso é muito pouco.
– Também sei que vai ter olhos verdes, vai ser matemático e vai tocar gaita. Ou então, tenho certeza que já morreu alguém com exatamente essas características.
– Credo! Desde quando você tem tido essas ideias?
– Ah, às vezes fico pensando… Mas hoje veio como uma luz!
– Tá bom, Vê, vamos dormir. Boa noite – finalizou Martinha, já sem paciência.

Dez anos depois desse diálogo,Veronika casou-se com Marcos, com quem teve dois filhos. Lembrou-se dessa história durante um tempo, cada vez com menos intensidade, e hoje só o túmulo dela guarda essa pequena lembrança.
– Ai meu Deus! É agora!
– Tem certeza?
– É claro, homem!
– Então, vamos!
Três horas depois, ouviu-se um choro de uma criança.
– Mas o Bernardo não é lindo? Tem os olhos verdes e já posso sentir que vai ser muito estudioso e adorar música!
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