Experimentar é preciso

Na mesma semana em que fiquei sabendo que uma das mais tradicionais rádios mineiras, a Gurarani FM, fecharia suas portas para dar lugar a uma emissora gospel, meu grupo da faculdade recebeu um sermão por ter apresentado um programa de rádio fora dos padrões. “Um fracasso”. Foi o que ouvimos, desapontados. Vamos ao início:

Recebemos a incumbência de montar um musical. Logo, vieram várias ideias e decidimos falar sobre a música independente em BH. Em uníssono, optamos por fazer um programa experimental, fora dos padrões das rádios – em que há presença de um locutor que conduz o programa. Queríamos ouvir a voz apenas das fontes. Estávamos animados.

Daí, corremos atrás de pessoas do cenário da música indie (ou marginal como chamamos na exibição), para falar sobre sua música, mercado, dificuldades, etc. E nós mesmos editamos. Como nada foi gravado nem editado nos estúdios da faculdade, a qualidade técnica não ficou nada boa. O BG (música de fundo) ficou mais alto que a fala dos entrevistados e esta, por muitas vezes, ficou muito baixa. Também aproveitamos pouco das músicas dos nossos entrevistados. Esses foram nossos erros. Reconhecemo-os.

Mas quanto a fazer algo inovador, que saísse do senso comum e fosse mais para o campo da experimentação? Isso foi levado em conta. Ficamos triste pela a avalização que recebemos, porém, mais tristes ainda porque percebemos que a faculdade onde é o local que podemos – e devemos – experimentar não foi aproveitada como deveria. Mais uma vez,  minha ideia de que o curso de jornalismo ensina o modo a trabalhar nos grandes veículos (impresso, rádio e tv) foi reforçada. A meu ver, o ambiente acadêmico é um local para ser criativo, mesmo que as ideias não sejam realmente boas, e  não para ser tolhido.

É preciso que, assim como os grandes veículos de comunicação,  o curso de jornalismo se reinvente. Sei que existem esforços por parte dos coordenadores e professores nesse sentido, e ainda é preciso percorrer um caminho que ainda se apresenta nebuloso, mas é necessário também que todos estejam dispostos a seguir nesse caminho.

Apesar da negativa que recebemos ao apresentar nosso trabalho, não desistimos dele. Desde o começo, a ideia foi expandi-lo para a internet e permanecemos firmes neste propósito. Quem sabe aqui na web, onde se você não ousar passa despercebido, possamos mostrar, enfim, a que viemos.
PS.: espero não receber retaliações por conta deste texto.

Nosso programa: https://soundcloud.com/laura-maria-49/sintonia-da-rua-1

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