Resistência ao longo dos anos

Reflexão de ‘A Revolução dos Bichos’ pode ser aplicada atualmente
Uma das características que marcam um clássico da literatura é a sua atemporalidade. Com “A Revolução dos Bichos” (Companhia das Letras) é assim. A primeira edição da obra de George Orwell completa 70 anos no mês que vem e traz para os leitores uma reflexão política e social. Escrito no fim da Segunda Guerra, o livro provoca uma discussão que ainda cabe nos tempos atuais.
No enredo, os animais da Granja do Solar, liderados pelos ideias de um porco, se rebelam contra o o dono da fazenda e, depois de um ataque, passam a comandar o local com as regras próprias, listadas em sete mandamentos. Liderados por outro porco, porém, os bichos começam a sentir que a realidade em que vivem não se tornou muito diferente da de quando estavam sob o domínio de um ser humano, já que o comportamento do líder se assemelha muito ao do antigo dono, que os obrigava a trabalhar a troco de ração diária.
A genialidade de Orwell começa na estrutura da escrita: ele retira dos homens o protagonismo e o transfere para os animais. Com esse tipo de narrativa, embasada nas fábulas, o escritor deixa claro o papel de cada personagem na trama.
Os porcos, por exemplo, são as criaturas que mais têm capacidade de pensar e, consequentemente, de poder. Eles conseguem sempre convencer os outros bichos, que têm o pensamento crítico pouco desenvolvido, de suas decisões.

Crédito: Café, Poesia e Ideias/redprodução
Crédito: Café, Poesia e Ideias/redprodução
Ao longo do livro, é possível reconhecer momentos que se assemelham aos de hoje em dia, como quando um moinho, construído depois do esforço dos animais, é batizado com o nome do porco-líder. Ou quando os porcos passam a ter mais privilégios que os demais animais, como melhores aposentos, simplesmente porque eram os “trabalhadores intelectuais”.
Já os outros animais eram todos submissos, apesar de suas peculiaridades. O cavalo, por exemplo, trabalhava sem cessar em honra ao seu dever para com o líder, já as ovelhas repetiam o que lhes era imposto sem que pensasse a respeito.
Matéria originalmente publicada no jornal Super Notícia no dia 21/7/2015.
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2 comentários sobre “Resistência ao longo dos anos

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