Um milhão de sensações em um quarto de número 8

Por Mylena Lacerda

“Você pode entrar do jeito que você quiser: a pé, de carro, de táxi, de moto. O importante é fazer o que te der vontade”, disse a recepcionista pelo telefone.

Com uma afirmação dessas não tinha porque deixarmos a vergonha de entrar a pé no motel e tirar toda a nossa vontade de descobrirmos as fantasias que quatro paredes nos induzem a ter.

Ao ir para a suíte, como toda mulher, provavelmente, deveria estar nervosa. Mas não. Sabe aquele tipo de pessoa que te deixa à vontade, que te faz rir das suas palhaçadas e te faz esquecer que tem defeitos? Alguém que faz de algumas horas em um quarto de motel ser mais que uma transa, e sim um fim de tarde dotado de risadas, conversas e prazeres ao som de uma música que vai do eletrônico ao rock, estilo “Faroeste Caboclo”? Alguém que imagina que aquele momento pode ser o lugar que ele quiser. De uma barraca feita de lençol branco a um parque de diversões em que o principal brinquedo é pular de uma cama para um deck, de um deck para uma cama?

couplee

Alguém que não está preocupado em tirar logo a sua roupa e fazer o que tem que ser feito? Mas um alguém que quer ver, admirar e sentir o que você está vestindo. E na hora de tirar, sabe exatamente como fazer. Tira de um jeito que te deixa completamente imóvel, apenas sentindo o tecido deslizando pelo seu corpo. De um jeito que faz com que arrepie todas as partes do seu corpo. De um jeito que faz com que esqueça a música que está tocando para sentir apenas aquele momento. Um alguém que olha nos seus olhos e sorri pra você, com aquele sorriso lateral mais sexy do mundo.  Alguém que, ao contrário de mim, não tem vergonha de se mostrar muito menos de dizer o que pensa.

Alguém que fala coisas relacionadas ao céu, à terra, à água e ao ar e ainda assim sabe deixar o assunto interessante, arrancando de você risadas incompreensíveis.  Alguém que não está preocupado com o mundo lá fora. Mas interessado em sentir o aos poucos o momento, sem pressa de acabar. Alguém que te conduza, de uma maneira tal, que, em seu pensamento, você quer que aquele momento se eternize.  Mas aí você se lembra de que aquele pode ser apenas o primeiro de momentos inesquecíveis.

Alguém que abra a porta do quarto de número 8 para ir embora, vai até a recepcionista  e finaliza a tarde, já escura pela falta de luz solar,  perguntando. “Vem muito gente a pé aqui?”

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