Mar estático

No limite entre o céu e a terra, não há mais terra: há mar. Bendita seja a limitação dos nossos olhos que faz com que eles não distinguam o contorno das elevações montanhosas e, assim, passam a contemplar a linha do oceano. Se olha por um instante, você consegue até imaginar que o ponto branco de uma casa é, na verdade, a ponta de uma embarcação. A Serra da Piedade é o mar (estático) de Minas Gerais.

Sentada numa pedra e olhando a vegetação debaixo dos meus pés, o verde, o marrom e uma pitada ou outra de roxo se misturam. Essa é a minha visão de perto.

Se levanto mais o queixo, vejo que o verde impera sobre as outras cores, e as montanhas se rendem ao soberano.

Crédito: Laura Maria

Mas quando ergo minha cabeça, surpresa: o verde foi derrotado. O azul que enxergo agora não me deixa dúvidas de que estou realmente vendo o mar.

A sensação de que estou em frente ao oceano se expande quando, delicadamente, colo uma pálpebra na outra. Neste momento, a brisa torna-se maresia; o farfalhar das folhas transforma-se em barulho de ondas; e a pedra dura se desfaz em milhões e milhões de grãos de areia. Consigo imaginar até que o conjunto de elevações rochosas são ondas marítimas.

Agora, já não posso mais chamar o que vejo, ouço e sinto de estático.

Crédito: Laura Maria
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2 comentários sobre “Mar estático

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