Hoje ainda é Carnaval!

Depois de dias de farra intensa no Carnaval, acordou naquela quinta-feira com uma ressaca absurda. A bebedeira, porém, não configurava o único motivo do mal estar do sujeito. Além da cerveja mais catuaba consumida desenfreadamente desde a sexta à noite, a sensação de não pintar o rosto nem de poder se banhar de purpurina e sair nas ruas vendo gente sorrindo até as orelhas lhe causou profunda dor.

Sair da cama naquelas condições nem pensar! Vai que, ao botar o pé pra fora de casa, ele encontrasse com alguém apressado falando ao celular? Ou então, ao adentrar a Estação Central, os rostos mal humorados contaminassem aquela alegria que cultivou tão deliciosamente durante esses dias? A melhor opção ainda seria acender um cigarro, enrolado por ele mesmo e esperar o dia passar.

Entre um trago e outro, sua opção era devanear. Seus pensamentos logo voltaram-se para aqueles dias de intensa e volúpia farra. Lembrou-se que na sexta-feira, ao pegar um bloco já em andamento – gostava mesmo era de chegar na concentração – encontrou-se com aquela que seria a musa do seu carnaval. Depois de ver que a moça curtia a folia genuinamente aproximou-se e, com poucas palavras, muitos sorrisos, logo se entregaram aos beijos ardentes. E se um perdia o fôlego por algum instante, o outro logo lhe recuperava com outro beijo fulminante. Agora, deitado, pensava por onde andava aquela que foi capaz de fazer-lhe perder os sentidos e a direção.

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