Em tempos líquidos, é preciso ser sólido

Se um adolescente de 16 anos escutar de sua avó que, no “tempo dela”, namoro se limitava a ficar de mãos dadas sob o olhar severo dos pais, é provável que o rapaz fique chocado, imaginando que matriarca viveu na Era Paleozoica. Entre a juventude dele e a idade da avó, porém, passaram-se em aproximadamente 40 anos. Só que o tempo foi suficiente para existir uma completa revolução nos relacionamentos afetivos.

As bodas de ouro deram lugar para troca de beijos e, às vezes, de telefone na balada. A cumplicidade do casal que se via apenas por um buraco na parede foi substituída pelo sexo casual a cada quinze dias. Essa inconsistência nas relações, tão presente atualmente, foi prevista pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em “Amor Líquido”. Na obra, o polonês discute os relacionamentos na contemporaneidade, em que nada é feito e que escorre pelos vãos dos dedos.

Bauman faz uma metáfora das relações com um vaso de cristal, que quebra na primeira queda. As crises, assim, não são mais para ser superadas, e sim, tornam-se o motivo para o fim do relacionamento.

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