Quando tudo estiver uma merda, vá lavar a louça

Depois de um longo processo para passar um mês estudando na “Folha de S. Paulo”, chego arrasada em casa porque não passei na última etapa. Para completar, ainda tive que comer comida requentada, e na pia da cozinha ainda havia uma pilha de vasilhas enorme esperando que eu a lavasse. Eu só queria meu quarto.

Na verdade, não queria porra nenhuma! Entrei lá, botei Amy Winehouse para ouvir, tirei porque estava horrível. Fui mexer no celular, só tinha porcaria, joguei para o canto. Fumei um cigarro, engasguei com a fumaça. Botei um incenso pra queimar, quase morri sufocada com o cheiro (a janela estava fechada, não queria a luz do Sol).

Só me restava chorar na cama porque é macia. Poxa, depois de tanto sacrifício, pegar ônibus por oito horas ida e volta, matar aula, faltar ao trabalho, enfrentar o frio de São Paulo e, o pior: se encher de esperança. É extremamente frustrante fazer planos depois vê-los desmoronar em segundos. É como se uma mão invisível arrancasse de você aquilo que nunca foi seu. Na minha cabeça, Cortella parecia entoar o hino, com uma coroa de louros, vestido de túnica branca e corneta nas mãos: “Felicidade é igual realidade menos expectativa”.

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Educomunicação e autoestima

A escola, para Paulo Freire, nunca esteve restrita ao espaço físico que ocupa uma sala de aula, com quadro negro, cadeiras enfileiradas e um processo de comunicação unidirecional. O educador enxergava o aluno como um sujeito capaz de interferir em todos os processos em que se encontra. Segundo Freire, “não há, realmente, pensamento isolado, na medida em que não há homem isolado”.

Dessa forma, o pedagogo pernambucano, conhecido mundialmente pela notabilidade de seus pensamentos, dá as primeiras formas ao campo de estudo que atende pelo nome de educomunicação. A metodologia pedagógica, que aos poucos tem se consolidado nas pesquisas brasileiras, utiliza de recursos midiáticos para potencializar o ensino.

O conceito, entretanto, não se restringe a união entre aprendizagem e meios de comunicação. Ismar Soares, estudioso brasileiro mais notável do assunto, chama a atenção para o principal objetivo da educomunicação: o de estimular a auto-estima e a capacidade de expressão das pessoas como indivíduo e em grupo.

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‘Bolsonaro pode fazer como Stálin’

Cientista político mineiro Lucas Cunha analisa o discurso do Deputado paulista muito se assemelha ao do ditador soviético, que dizimou milhões de vidas durante a União Soviética, já que ambos pregavam o conservadorismo exacerbado.  O cientista defende ainda que Bolsonaro tem muitos seguidores porque ele representa uma alternativa anti-petista.

Nos últimos tempos, Jair Bolsonaro ganhou destaque nacional graças as suas declarações machistas e homofóbicas, especialmente. Que tipo de impacto tais manifestações causam na sociedade?

Esse tipo de manifestação incita o ódio e faz com que as pessoas briguem entre si, porque Bolsonaro tem posições pró fascistas. Com o final da ditadura e transição para a democracia, houve uma série de forças políticas que associavam o termo direita à ditadura, e o esquerda à democracia. Na verdade, a esquerda tem uma ideologia mais estatista, enquanto a direita tem suas bases no mercado. Bolsonaro surge, então, como representante da ultradireita no país, que já feriu o decoro parlamentar e que faz discursos de ódio em pleno exercício da democracia.

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A fé é um adesivo de nicotina

Quando achou que as luzes do Todo Poderoso haviam se apagado, com o suicídio da esposa em maio de 2012, Alair Júlio de Souza resolveu apelar mais uma vez para o Divino. “Meu Senhor, me dá a mão aqui, que a coisa está feia”, reclamou auxílio. O sono veio aquela noite com pontadas de tristeza e resignação.

No dia seguinte ao pedido, um convite inesperado da empresa: entrar para o grupo contra o tabagismo. Desconfiado como bom mineiro, mesmo com a fé de dar muita inveja em qualquer carola, pensou: “Se falar sobre os malefícios do cigarro, não vou! Isso eu  já estou cansado de saber”.

Mas já que a ajuda veio dos céus, o Altíssimo não decepcionaria Alair com mimimi. Mal pôde acreditar que, na dita cuja reunião, sequer a palavra cigarro foi mencionada. Ao contrário disso, o que o fresador mecânico encontrou foram braços e mãos encerradas num caloroso abraço. “Nunca fui recebido assim”, estranhou, esperançoso.

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Muito quer se falar, pouco se quer ouvir

Tenha uma rede social. Passe os olhos por ela durante alguns minutos. Leia os comentários sobre algum assunto e também as respostas a tais manifestações. Pronto! Você tem nas mãos a receita certa para fazer um bolo de muito falatório e pouca reflexão. Mas te garanto que o gosto desse quitute é amargo e entala na garganta ao ser saboreado.

No Facebook, Twitter ou WhatsApp está todo mundo falando alto! Gritando, cuspindo e impondo a sua opinião. Aí, quando aparece um comentário de discordância ao que foi postado, a voz duplica de tamanho e surgem os textões. É cada comentário que dá inveja a muito estudante de mestrado.

As redes sociais abriram um importante espaço de discussão. E isso é maravilhoso! Acontece que um espaço, que deveria ser transformado num espaço de conhecimento, tem servido, nestes tempos nebulosos da política, para autoafirmação de convicções, defendias a ferro e fogo.

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