A voz do povo é a voz de muitas e de muitos

Coletivo de Belo Horizonte apresenta propostas com participação popular para as eleições municipais de Belo Horizonte em busca de uma capital mais democrática

Laura Maria

Mylena Lacerda

Uma cidade justa e igualitária deve ser construída, acima de tudo, com ativa participação popular na política. Essa é a principal ideia do coletivo Muitxs Cidades que Queremos BH, que pretende, com suas propostas, ocupar as eleições municipais de Belo Horizonte deste ano. Para isso, pelo menos oito integrantes do coletivo tornaram-se pré-candidatos ao cargo de vereador pelo PSOL, como é o caso de Áurea Carolina de Freitas e Silva, mestra em Ciência Política pela UFMG e uma das idealizadoras do projeto.

“Temos afinidade programática com o PSOL. Houve uma acolhida importante do partido, e nós temos uma conversa com vários setores de lá que é muito proveitosa”, justificou-se, ao dizer que o coletivo também dialogou com a Rede de Sustentabilidade, com o PSTU e com o PCB.

A conversa com os partidos, inclusive, aconteceu ao longo do ano passado, quando também foram idealizadas dez propostas para a cidade. Inicialmente, o grupo divulgou proposições pensadas pelos próprios integrantes do Muitxs. E com o lançamento da plataforma muitxs.org, a população também passou a sugerir ideias para a construção de uma política popular.

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Instinto de Loba, espírito de águia

História de Loba, de 23 anos, contada por mim, Laura

Aos 21 anos, meu currículo era de dar inveja em qualquer mortal em busca da felicidade. Tinha casa, carro, um bom emprego, viagens programadas, uma grana considerável e ainda alguém que me esperava em casa com carinho e com afeto. “Poxa, mas você é uma garota de sorte”, me diria um parente mais próximo. E eu era. Queria acreditar que sim. Mas nos segundos seguintes aos que apaguei as velas do meu bolo de aniversário, se apagou também em mim o sentido de tudo isso. Estremeci. Chorei. Estava perdida.

Na noite daquele fatídica comemoração, mal consegui dormir. Revisitei tudo aquilo pelo qual tinha passado e me senti extremamente só. Por que nada daquilo fazia sentido pra mim se era tudo o que eu sempre quis? Nesse instante, um insight me tirou daquele torpor: passei a vida inteira correndo atrás do sonho dos outros, não do meu. Saber disso foi uma espécie de libertação dolorosa. Senti o chão desaparecer sob os meus pés. Mas também descobri que, a partir daquele momento, era eu quem construiria meu próprio solo para me apoiar. E faria aquilo partindo para a estrada.

E se para muitos foi um choque quando eu terminei meu casamento e pedi demissão do meu trabalho, para mim foi um início de uma vida nova. É claro que as coisas não foram tão simples – para falar a verdade, nem tinha ideia do que estava fazendo -, mas aos poucos, e com ajuda de muitos, finalmente pus meus pés no acostamento e respirei profundamente. Nunca me senti tão completa.

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