Instinto de Loba, espírito de águia

História de Loba, de 23 anos, contada por mim, Laura

Aos 21 anos, meu currículo era de dar inveja em qualquer mortal em busca da felicidade. Tinha casa, carro, um bom emprego, viagens programadas, uma grana considerável e ainda alguém que me esperava em casa com carinho e com afeto. “Poxa, mas você é uma garota de sorte”, me diria um parente mais próximo. E eu era. Queria acreditar que sim. Mas nos segundos seguintes aos que apaguei as velas do meu bolo de aniversário, se apagou também em mim o sentido de tudo isso. Estremeci. Chorei. Estava perdida.

Na noite daquele fatídica comemoração, mal consegui dormir. Revisitei tudo aquilo pelo qual tinha passado e me senti extremamente só. Por que nada daquilo fazia sentido pra mim se era tudo o que eu sempre quis? Nesse instante, um insight me tirou daquele torpor: passei a vida inteira correndo atrás do sonho dos outros, não do meu. Saber disso foi uma espécie de libertação dolorosa. Senti o chão desaparecer sob os meus pés. Mas também descobri que, a partir daquele momento, era eu quem construiria meu próprio solo para me apoiar. E faria aquilo partindo para a estrada.

E se para muitos foi um choque quando eu terminei meu casamento e pedi demissão do meu trabalho, para mim foi um início de uma vida nova. É claro que as coisas não foram tão simples – para falar a verdade, nem tinha ideia do que estava fazendo -, mas aos poucos, e com ajuda de muitos, finalmente pus meus pés no acostamento e respirei profundamente. Nunca me senti tão completa.

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Desde aquele abril decisivo, não parei mais. Peguei carona, fiquei na rua, já dormi com fome e senti dor. Rodei por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Encontrei gente rude e preconceituosa e também pessoas magníficas e que tenho certeza que já as conheço há mil vidas. Aprendi a viver. Descobri que o mundo é muito maior que a minha antiga concepção dele de uma vida segura e confortável. É nele que encontro coisas ruins e boas. Encontro exatamente o que preciso. Nem mais nem menos.

E, engraçado, porque, nessas descobertas, o mais importante é encontrar a mim mesma. Uso o tempo em um deslocamento e outro, uma viagem e outra, para refletir e planejar as minhas ideias. Coisa que não costumava fazer quando estava compreendida no meu quadrado perfeito. O mais interessante de ter caído na estrada sozinha é que aprendi a tomar as decisões também sozinha. Não há ninguém que fale por mim, a não ser minha intuição e meu espírito.

Se pretendo voltar para Brasília? Sim, já voltei. Inclusive, passei por todos os lugares que já estive e percebi os contrastes do que sou e já fui; do que aprendi e ainda vou ensinar. Isso me faz avaliar melhor o que eu ainda posso e quero fazer. Se pretendo ficar? Bom, isso já é outra história… Minha casa é a estrada, minha cama, a areia do mar, e minha janela sempre dá para o céu.

Loba tem uma página no Facebook onde escreve seus percursos e histórias.

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