Acomodar é verbo fora do meu dicionário

História da intercambista Ione Caetano, de 24 anos, contada por mim, Laura

Carrego em mim, desde sempre, a insatisfação. Ora me fazendo bem danado, ora me deixando frustrada por não conseguir concretizar tudo o que gostaria, esse espírito tão bem traduzido pelo Rolling Stones nunca me deixou quieta por muito tempo em alguma situação ou lugar. Por isso que, quando me arrisquei pela primeira vez nas terras do Tio Sam, já sabia que aquela não seria a única nem a maior viagem aos Estados Unidos.

E já que quando se manda uma mensagem ao Universo, tudo conspira a favor, coloquei minha coragem na mala e parti, mais uma vez, para os EUA, pouco mais de dois anos depois da minha primeira experiência. No Brasil, minha família e amigos ficaram esperando a volta completa da Terra em torno do Sol que concretizaria meu retorno ao país.

Mas como a insatisfação vive como chama ardente no meu coração, a poucos dias de voltar para o Brasil, acredito que eles ainda tenham que esperar por mais um ano até o meu regresso.

ione

É que aqui, longe de tudo aquilo que me é mais caro, pude dona do mim mesma. Quando saí da minha zona de conforto – no Brasil, moro numa casa grande e espaçosa com uma família amável -, tive que correr atrás de tudo sem ninguém para me dizer o que fazer. E isso passa longe de rebeldia sem causa. Uma coisa é querer sair de casa aos 17 anos para aproveitar a vida loucamente sem as rédeas dos pais, outra é ir para um país estrangeiro, com uma língua completamente diferente, com pessoas estranhas e ainda encarar um trabalho totalmente novo.

Claro que a família de acolhimento – participo do programa de Au Pair -, me recebeu de braços abertos e me deu todo apoio de que me é necessário. Porém, não há na Pensilvânia as coisas de que mais sinto falta: um beijo, uma conversa descontraída, alguém para cuidar de mim e de uma pessoa para apagar a luz do quarto em que durmo, como minha irmã faz.

Só assim pude estar de frente comigo mesma e fazer minhas próprias escolhas. Decidi, então, por viver meus dias da melhor maneira possível. Trabalho, estudo, passeio, gasto dinheiro, faço viagens, visito amigos. Daqui, inclusive, dei um pulo na Europa e dei um giro pela Inglaterra, França, Itália e Holanda.

Devo admitir, porém, que não vivo em uma eterna comédia romântica. Há dias em que a saudade aperta mais que nó sem ponta e minha vontade é sair correndo de volta para as terras tupiniquins. É nesses momentos que aquele meu sentimento, com uma voz sedutora, sussurra ao meu ouvido: “calma, você vai voltar. Mas que tal aproveitar tudo isso enquanto pode?”.

Então, tenho claro em mim que por mais que eu viaje pros mais distantes pontos do mundo, o meu lar sempre vai ter endereço e telefone fixo.

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