Inesquecível e sedutora: assim é Buenos Aires

Depois de escrever duas histórias de pessoas que viram suas vidas transformadas depois de pegar a estrada, agora é está na hora de contar a minha. Claro que, comparada às delas, a minha é pequena. Para mim, porém, é extraordinária! E só de lembrar dos oito dias hermosos que vivi em Buenos Aires meu coração transborda!

A ideia de dar um rolê internacional pela primeira vez surgiu quando eu ingressei no curso de jornalismo e resolvi trocar a noite do baile de formatura pela viagem. Não sabia para onde nem quando. Só sabia que precisava atravessar a fronteira brasileira. Então, com meu salário de estagiária e venda de ovos de páscoa, de cestas e de tortas no trabalho acumulei um rico dinheirinho.

Buenos Aires foi o primeiro destino que me veio à mente. Também pensei na Bolívia. Mas quando dei por mim, estava desejando o primeiro destino mais que tudo! Simplesmente, quis conhecer lá. E quando falei amém, Deus mandou que seus anjos me acompanhassem.

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Obelisco – Avenida 9 de Julio

Isso porque, depois de procurar, não achei companhia para minha empreitada. Decidi, então, ir sozinha. Em outro país, com outro idioma – tudo bem que o espanhol se aproxima muito do português – e sozinha! A ideia, que inicialmente me deixou triste e assutada, foi ficando cada vez mais excitante. Pra quê uma vida sem aventuras, ¿Dios mio?

Então, com um mês de antecedência planejei a viagem e no dia 9 de agosto subi no avião em Belo Horizonte para descer em Buenos Aires no dia 10. Estava em terras argentinas, porra! Se só de sair do circuito Contagem/Belo Horizonte já me sinto muito feliz, imagine minha emoção em solo estrangeiro? Era demais pro meu coração!

Mas na manhã seguinte, me bateu uma bad! Estava sozinha, lugar desconhecido, a quilômetros de distância, queria falar com a minha mãe. Sim, me senti um bebê chorão. Essa sensação, porém,  durou apenas uma manhã, já que à tarde encontrei com um amigo brasileiro que mora lá, e ele me levou pelas ruas portenhas.

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Tortilhas: parecem um omelete. Amei!

Logo, quis experimentar um prato típico de lá, e paramos no restaurante “London City”. Meio contraditório, eu sei. Comi tortilhas e bebemos um rico vinho. De cara, me apaixonei pelas ruas, cheias de árvores secas. As estações do ano são bem definidas lá. A arquitetura da cidade também é linda, com prédios feitos a várias mãos e ricos em detalhes.

A cidade é bem cinza, notei. Metrópole, né?! Por isso, me apaixonei tanto pelo Caminito, um pedacinho do bairro La Boca, extremamente colorido e onde o tango e o comércio são efervescentes! É preciso, inclusive, ficar atento, pois, até pra tirar alguma foto pode lhe custar alguns pesos.

Outro lugar muy belo em Buenos Aires é Puerto Madero. Fui lá por três vezes. Durante o dia, é possível fazer uma agradável passeio pelo antigo porto da cidade e admirar o reflexo do sol nas águas do rio Prata. Mas à noite, quando os raios solares dão lugar a uma profusão de luzes elétricas, Puerto se transforma num ambiente que mistura romantismo e badalação, por conta dos restaurantes chiquérrimos e dos bares com música eletrônica e gente bonita. Como boa belo-horizontina que sou, comparei Puerto Madero à Lagoa da Pampulha, tanto pelo visual como pelos preços – são bem salgados!

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Puerto Madero à noite ❤

Ainda nesta onda de comparações à minha terrinha querida, o Obelisco, na avenida 9 de Julio, é, sem-dúvida, o nosso Pirulito da Praça Sete, só que cinco vezes maior! Assim como aqui, não há muito o que se fazer por lá, só tirar umas fotos para comprovar que você esteve em Buenos Aires. Outro ponto obrigatório neste mesmo estilo é a Casa Rosada, localizada na Praça de Maio. Tive sorte de meu hostel estar localizado entre esses dois pontos, então, não tive que fazer muito esforço pra chegar até eles.

Trampo passei mesmo pra chegar cemitério do bairro Recoleta. Fiquei um pouco perdida, mas uns hermanos buena onda me explicaram que caminho tomar. Fiquei impressionada como gente rica morre bem! O cemitério é sim uma cidade de mortos, bem mortos, porque as lápides são mais lindas que muitas casas por aí. Logo me veio à cabeça o cemitério do Bonfim, cá em BH.

Entre uma ida e outra entre os pontos turísticos, parei em alguns dos muitos cafés de BA. Quem curte esse tipo de ambiente, como eu, vai amar a cidade! São variados e lá se serve tanto lanches quanto refeições. Com exceção de um (Tienda de Café), amei todos que fui! Especialmente, o Tortoni (muito turístico, há fila pra entrar). É o mais antigo da cidade, tem luz baixa e muitos quadros! Tomei um chocolate delicioso, e o tratamento é ótimo!

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Café Tortoni

Por falar em gastronomia, em Buenos Aires é quase impossível comer mal! Fugi de todos os fast-foods (Mc Donalds, Subway) e fiz minhas refeições nos cafés e restaurantes. Lá é muito comum comer carne com batatas, por isso, os pratos vêm bem recheados! Em todas as ocasiões eu também fazia questão de tomar uma taça de vinho. Lembro que no Brasil, a única coisa que pensava em fazer em Buenos Aires era: tomar um vinho e assistir a um tango.

Por isso, fiz questão de ir a um show de tango (Sabor a Tango) com direito a me buscarem e levarem no hostel, jantar com entrada, prato principal e sobremesa e bebidas liberadas. Mas o ponto alto da noite foram os espetáculos, tanto os de dança como os puramente musicais. Confesso que lágrimas ameaçaram a despencar dos meus olhos pintados, de tanta emoção.

Feliz também fiquei com as pessoas que conheci. Todas incríveis! O bom de se viajar sozinha é que você acaba atraindo para si muitas pessoas e, no meu caso, só conheci gente buena onda! Um amigo de uma amiga boliviana que mora lá, uma francesa, uma alemã, muitos portenhos e até uma moça de Ouro Preto que estava na cidade por conta de um intercâmbio.

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Bosques de Palermo

Dentre essas pessoas, estava o Alejandro, que me levou para conhecer os Bosques de Palermo. Lá, sem dúvida, foi uma das regiões que mais gostei de conhecer, por causa das grandes extensões verdes muito bem cuidadas e pelas árvores centenárias. Ainda dei um pulo em Acassuso, onde pude ver o Rio Prata.

Bueno… Ao chegar ao fim deste texto me sinto como no último dia de viagem: uma pontada de tristeza num oceano de nostalgia. Gostei de Buenos Aires mais do que imaginei. Talvez mais pela sensação de se sentir livre e dona do próprio nariz, de ir e vir a hora que desejar, mesmo que por apenas 8 dias. Fato é que a viagem só despertou em mim o espírito de bicho solto sem dono. Mal posso esperar pela próxima viagem neste mundo bão demais de meu Deus!

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