Luz negra de uma lembrança cruel

Em dias assim, em que a gente se sente como quem partiu ou morreu, acendo meu cigarro, boto Coltrane num volume que só eu consigo escutar e rememoro as minhas tristezas. Sim, porque o ser humano, qualquer que seja, tem esse gosto pelo mórbido, pelo sombrio, pela morte. Ora, essa, todos têm! Eu simplesmente assumo.

A primeira memória que vem à minha cabeça é sempre a de Bentinho. Já tentei pensar outras desventuras, mas o personagem do Machado de Assis insiste em ser o primeiro a ocupar minhas lembranças melancólicas. E o diabo vem todas as vezes com a mesma assertiva: “Sempre terei o sabor da dúvida, mas você provou o amargor da certeza!”

Tento rebater, dizendo que uma verdade dolorida é melhor do que mil mentiras agradáveis, mas ele sabe que minha histeria é justamente porque nunca terei a mesma sorte de nunca descobrir se Capitu traiu ou não traiu.

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