Para a liberdade: São Paulo!

A garoa cai fina sobre o seu rabo de cavalo e forma um aglomerado de gotículas sobre o cabelo encaracolado que, de longe, provoca a sensação de se estar vendo fios brancos. Mas ao chegar de perto, logo percebe-se que o emaranhado é pretíssimo – cor conseguida, é claro, pela tintura, já que o correr incessante dos anos insiste em embranquecer os fios.

No topo da cabeça, porém, nenhuma confusão visual entre cabelo e chuva: a careca branca recebe as gotas de água pacientemente, e estas logo escorrem para o tufo de cabelos preso por um elástico ou então para a argolinha de ouro dependurada na orelha esquerda que há tempos perdeu o brilho pelo uso ininterrupto.

É essa a visão que tem de si mesmo ao passar por um imponente prédio espelhado da Paulista. É domingo de manhã, e ele acaba de sair da kitnet apertadíssima para esticar as pernas, respirar o ar da maior metrópole do Brasil e repetir o mantra que não lhe saiu da cabeça nos últimos 50 anos: “Ah, minha São Paulo, meu dinheiro, minhas mulheres”.

A frase é o gatilho para se lembrar de como foi parar ali.

Leia mais »

Anúncios