A humanidade é desumana, mas ainda temos chance?

Nos últimos dias, as pessoas têm usado incessantemente as redes sociais para se posicionarem à respeito do falecimento da ex-primeira-dama do Brasil, que teve a morte confirmada pelo Hospital Sírio Libanês, na sexta-feira (3). A então esposa de Lula sofreu um AVC causado por um aneurisma.

Ora se solidarizando com o ex presidente, ora reafirmando seu posicionamento político contrário ao do último governante do Brasil, mas destacando respeito à família de Lula, as condolências vinham de todas as partes.

Mas dentre essas manifestações de solidariedade, surgiram também comentários destilados de puro ódio, que exultavam o sofrimento do ex presidente diante da morte da esposa que o acompanhou por 43 anos, entre namoro e casamento.

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Numa total falta de humanidade e empatia, as redes sociais foram inundadas com mensagens reverenciando o fato de que Lula finalmente estava pagando pelo sofrimento que provocou nos brasileiros. Para completar tamanho absurdo, ainda foi criada a hastag #avcsalvaobrasil.

Em meio à essa onda nauseante, um conhecido lembrou-me da música  “Quando o sol bater na janela do seu quarto”, composição de Renato Russo, do Legião Urbana. Na canção, o poeta declama que “toda humanidade é desumana, mas ainda temos chance“.

Mas quando essas coisas acontecem, será que realmente temos chance? E se a temos, o que fazermos com que ela não seja perdida?

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Considero-me uma pessoa esperançosa, mas confesso que quando a humanidade – característica, aliás, que nos diferencia dos animais – se perde, também perco um pouco da fé que dias melhores virão. Citando novamente uma música, é como diz o Mato Seco em seus versos: “tudo nos é dado só nos falta a fé”.

E o caso da dona Marisa é só mais um que ganhou notoriedade por causa da importância política de seu ex marido. Mas basta uma zapeada pelas redes para confirmar que a falta de humanidade está impregnada como uma raiz de erva daninha nas ações e comentários de muita gente.

Na típica frase do “cidadão de bem”, de que “bandido bom é bandido morto”; nas comemorações pelas mortes dos presos em penitenciárias super-lotadas; nas constantes afirmações de que “mulher com roupa curta merece ser estuprada”.

Eu ainda prefiro ficar com o bom e velho ditado: “a esperança é a última que morre”. Apesar de, vez por outra, ela sofrer um AVC.

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*Imagens do mural “Todos somos um”, do artista Eduardo Kobra. A pintura é inspirada nos aros olímpicos e representa a paz e a união entre os povos. Localizado no Boulevard Olímpico da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, o mural foi realizado com 180 baldes de tinta acrílica, 2.800 latas de spray e sete elevadores hidráulicos. – Fonte: Site Eduardo Kobra

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